sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Barão de Grajaú - MA

Barão de Grajaú é uma pequena cidade localizada no Estado do Maranhão.
Compreendida por uma área geográfica de 2.189 Km², e uma população de aproximadamente 16.507 pessoas.

Barão de Grajaú está dentro do meu coração e situada na região fisiográfica do Médio Parnaíba, na margem esquerda desse mesmo rio, em frente à cidade de Floriano, Piauí.

A história da minha terra natal, segundo pesquisas, iniciou-se em 1884, neste ano, após a invasão dos bandeirantes, localizaram-se no lugar, habitantes piauienses e já era tido como povoado de certa importância, recebendo este nome em homenagem ao Presidente da província que abrangia estas terras, Dr. Carlos Fernandes Ribeiro “O BARÃO DE GRAJAÚ” assim chamado, nome dado pelo piauiense Agapito Alves de Barros, que deu impulso à vida comercial do povoado, primitivamente centro de lavoura.

Em particular, tenho muita história para contar de Barão de Grajaú, lembro-me da casinha que minha família e eu morávamos, foi ali naquela casa, na Rua Todos os Santos, que minha mãe deu a luz a alguns dos meus irmãos e a mim, pois naquela época, a maioria das mulheres davam a luz em suas próprias residências, com a ajuda de uma parteira.

Tive o privilégio de passar a infância ao lado dos meus avôs maternos e compartilhar muito amor com eles, em Barão de Grajáu. Quem não conheceu “Seu Sinhor” – Satiro Amaral e Dona Isolina Noleto? Um casal simples e feliz, naquela época era comum os moradores da cidade conhecer uns aos outros. Vôvo Satiro trabalhava de Barbeiro e de Sapateiro, e vovô Isolina tecia rendas, fazia rede, e outras coisas do gênero. Minha formação está fortemente marcada pela influência positiva dos meus avôs, principalmente pela batalhadora Isolina, mulher doce, forte e corajosa, presente em todos os momentos.

Não posso esquecer que meus primos que moravam em Barão também compartilharam do amor de "Seu Sinhor e Dona Isolina". Lembro em especial da Socorro, convivemos tão de perto que a considero como a irmã mais velha; Socorro penteava meus cabelos e tinha todos os cuidados para comigo.
Além das boas recordações de família, Barão de Grajaú tem algo que considero precioso, o Rio Parnaíba, um rio brasileiro que banha os estados do Piauí e Maranhão, muita água doce e fresca. Ele nasce na Chapada das Mangabeiras a cerca de 700 metros de altitude, no extremo sul do Maranhão e vai alargando-se, ao receber mais afluentes, até tornar-se rio caudaloso. É fronteira natural dos estados do Maranhão e do Piauí. Percorre, aproximadamente, 1.344 km até sua desembocadura no Oceano Atlântico, formando o único delta em mar aberto das Américas, que é um dos três maiores do mundo, composto de mais de 70 ilhas. Na estação seca, mais freqüente na margem esquerda, do Maranhão, formam-se praias. Que lembranças boas eu tenho do Parnaíba, de pular na água de cima de uma árvore, ou de uma ribanceira e descer pela correnteza abaixo.

O Rio Parnaíba é mesmo uma das maravilhas daquele lugar, no meu tempo não havia abastecimento de água na cidade, era no Parnaíba que a maioria dos baronenses lavavam roupas, tomavam banho, bebiam, cozinhavam. Por isso, valorizo tanto aquele rio.
O sol quente de Barão de Grajaú nos convida a mergulhar nas águas frescas do Parnaíba, não sei como é nos dias atuais, mas no meu tempo, era divertimento preferido das crianças e dos adultos.
A pesca também era uma das riquezas que o rio nos dava, me lembro da tia Aurora que morava numa casa ao lado da minha, ela pescava para se alimentar e de vez em quando eu a acompanhava. A pesca para nós nunca foi diversão ou aventura, era mesmo uma necessidade. Tia Aurora era especialista em fazer Mandi, um peixe carnudo, quase sem espinhos. O Mandi cozido da tia Aurora ficava delicioso, ela usava os poucos temperos que tinha a sua disposição, um pouco de coentro colhido no próprio quintal e um pouco de pimenta do reino e pronto, seu peixe ficava inigualável. Tia aurora era irmã da minha avó Isolina, quase uma segunda avó que eu e todos meus irmãos e primos aprenderam a amá-la.

Muitas outras lembranças maravilhosas me levam a Barão de Grajaú, aventuras de criança que somente quem viveu ou vivi num lugarejo no meio do mato pode contar. Aventuras como: Os banhos de chuva no inverno quente, as voltinhas de adolescente ao redor da igreja para arrumar paquera nos domingos de missa, os festejos de junho na praça da Igreja, as brincadeirinhas de esconde-esconde à noite, os desfiles das escolas nos 7 de setembro pelas ruas da cidade, as amigas mais próxima Neuza, Helena, Didia, Bernadete, e ainda, os passeios de caminhonete, cheia de crianças em cima da caçamba, rodeando a cidade em alta velocidade, e tudo promovido pelo seu Manoel da Paz a pedido da filha dele, a Sandra. Aliás, A Família do seu Manoel da Paz faz parte da minha história, meus irmãos mais velhos e eu vivíamos enfiados na casa dos Da Paz, eu brinquei muito com as bonecas da simpática Mariângela e da Bela Rosana. Dona Ângela, sempre nos recebeu no casarão dela, naquele tempo não tinha TV na minha casa, e quase todas as noites a sala da Dona Ângela enchia de crianças vizinhas, me lembro como se fosse hoje, todos sentados no chão e às vezes nas cadeiras, pois era tanta gente em frente à televisão que as cadeiras não davam para todos. Tenho um carinho muito especial pela família dos Da Paz.

Deixei Barão de Grajaú ainda uma menina, quando toda minha família veio morar em São Paulo, Era um sonho da minha mãe de morar na cidade grande, mas Barão de Grajaú ficou dentro de mim, tenho orgulho de ser Baronense. O Dr. Carlos Fernandes Ribeiro virou “O BARÃO DE GRAJAÚ, e eu a FABIANA AMARAL virei a MISS BARÃO, desde pequenininha meu pai me chama assim, hoje com menos freqüência, ainda ouço-o, com sua voz quase deficiente me chamar de Miss Barão, isso é muito gostoso, isso é inexplicavelmente maravilhoso. De Miss eu não tenho nada, más tenho tudo, o carinho do meu pai o amor eterno da minha querida mãe que está no céu. E como diz meu Pai,
Miss Barão

10 comentários:

  1. Muito obrigado Fábiana!
    Suas informações foram preciosas para um documentário sobre a Diocese de Caxias que breve estará disponível também no youtube.
    Um abraço!

    Reginaldo Pinho.
    PASCOM - Pastoral da Comunicação da Diocese de Caxias.

    ResponderExcluir
  2. Oi!!!Sou Leonete Lima gostei muito de seu artigo moro em Grajaú-MA. e estou fazendo pesquisa com nome de Grajaú e gostaria de saber porque o nome BARÃO DE GRAJAÚ ? Em homenagear Dr. Carlos Fernandes Ribeiro? Ele era de Grajaú ou seus familiares e de Grajaú?Mande alguma coisa sobre o Dr. ficarei muita agradecida.
    meu e-mail: leonete.lima@bol.com.br

    ResponderExcluir
  3. Querida Fabiana, sou filho de Barão de Grajaú-Ma,o mais velho da familia ZéNegreiros; sou engº civil aposentado, moro em Recife, mas sempre vou no carnaval em Floriano-Pi.
    Solicito gentileza de me enviar o passo a passo da preparação do suco de bacuri; a partir da fruta in natura.

    um grande abraço,

    Nivaldo Negreiros - jn.negreiros@hotmail.com

    ResponderExcluir
  4. Olá Fabiana,

    Hoje li parte da sua biografia e conheci um pouco sobre a cidade de Barão de Grajaú e o carinho que você tem por ela e os seus saudosos familiares.

    Parabéns
    Abraços
    Boby - boby5@globo.com

    ResponderExcluir
  5. obrigada Fabiana por compartilhar as fotos deste paraíso conosco.sou nascida em Barão de grajaú e gosto muito da Manga.É sempre bom ver nossa cidade natal mesmo estando longe .
    bjs

    ResponderExcluir
  6. "Quem é vc, Fabiana Amaral. Eu passei 13 anos longe de Barao (em San Francisco, California, USA), e achava esse tempo todo q eu era o cara de Barao de Grajau. Agora tu me vem falando de tudo e de todas as pessoas q fizeram parte da vida? Fala sério!!! EU TENHO AO MESMO TEMPO,ORGULHO e VERGONHA de ser de Barao de Grajau. Mas conheci e convivi com todas essas pessoas q vc mencionou, e elas moram para sempre no meu coracao.

    efiqueiroz@lycos.com

    ResponderExcluir
  7. gostaria de ver fotos do grajaú maranhaão minha cidade natal como posso ver mais fotos do

    ResponderExcluir
  8. Legal, nasce em Barão de Grajaú e moro agora em Goiânia. Estou com saudades. Não sabia muito desse passado da cidade, só fez eu me orgulha ainda mais, de ser baronense. Desafio vocês de conhecerem esse ambiente natural.

    ResponderExcluir
  9. Fabiana gostaria de comunicar com vc, sou Joselita, teus pais são meus compadres, ñ estou lembrada do nome do meu afilhado ou afilhada eram dois homens e qts mulheres ñ lembro sou a filha do Dono das Lajes, muita amiga de Julieta e Libania conheci um filho de Julieta em São Luis qdo ela morava ou mora lá, na Vila Riord a onda existe a casinha onde o velho João Eugenio morava ñ é propriedade minha e sim do meu irmão, eu fique do lado da casa da fazenda onde sua mãe foi professora muitos anos e lá casouse teu pai trabalhou no comercio de meu pai até qd veio embora pra Barão, espero que vc me adicione. lita.goes @hotmail.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Joselita, que bom encontrá-la. Lembro do seu nome sim, gostaria também de manter contato com você, pois eu queria muito escrever mais histórias do Maranhão e das Lajes. Aguardo seu contato. Fabiana

      Excluir

Obrigado pelo comentário, mas por favor deixe seu endereço eletrônico para nos falarmos.
Fabiana