Barão de Grajaú é uma pequena cidade localizada no Estado do Maranhão.
Compreendida por uma área geográfica de 2.189 Km², e uma população de aproximadamente 16.507 pessoas.
Barão de Grajaú está dentro do meu coração e situada na região fisiográfica do Médio Parnaíba, na margem esquerda desse mesmo rio, em frente à cidade de Floriano, Piauí.
A história da minha terra natal, segundo pesquisas, iniciou-se em 1884, neste ano, após a invasão dos bandeirantes, localizaram-se no lugar, habitantes piauienses e já era tido como povoado de certa importância, recebendo este nome em homenagem ao Presidente da província que abrangia estas terras, Dr. Carlos Fernandes Ribeiro “O BARÃO DE GRAJAÚ” assim chamado, nome dado pelo piauiense Agapito Alves de Barros, que deu impulso à vida comercial do povoado, primitivamente centro de lavoura.
Em particular, tenho muita história para contar de Barão de Grajaú, lembro-me da casinha que minha família e eu morávamos, foi ali naquela casa, na Rua Todos os Santos, que minha mãe deu a luz a alguns dos meus irmãos e a mim, pois naquela época, a maioria das mulheres davam a luz em suas próprias residências, com a ajuda de uma parteira.
Tive o privilégio de passar a infância ao lado dos meus avôs maternos e compartilhar muito amor com eles, em Barão de Grajáu. Quem não conheceu “Seu Sinhor” – Satiro Amaral e Dona Isolina Noleto? Um casal simples e feliz, naquela época era comum os moradores da cidade conhecer uns aos outros. Vôvo Satiro trabalhava de Barbeiro e de Sapateiro, e vovô Isolina tecia rendas, fazia rede, e outras coisas do gênero. Minha formação está fortemente marcada pela influência positiva dos meus avôs, principalmente pela batalhadora Isolina, mulher doce, forte e corajosa, presente em todos os momentos.
Não posso esquecer que meus primos que moravam em Barão também compartilharam do amor de "Seu Sinhor e Dona Isolina". Lembro em especial da Socorro, convivemos tão de perto que a considero como a irmã mais velha; Socorro penteava meus cabelos e tinha todos os cuidados para comigo.
Além das boas recordações de família, Barão de Grajaú tem algo que considero precioso, o Rio Parnaíba, um rio brasileiro que banha os estados do Piauí e Maranhão, muita água doce e fresca. Ele nasce na Chapada das Mangabeiras a cerca de 700 metros de altitude, no extremo sul do Maranhão e vai alargando-se, ao receber mais afluentes, até tornar-se rio caudaloso. É fronteira natural dos estados do Maranhão e do Piauí. Percorre, aproximadamente, 1.344 km até sua desembocadura no Oceano Atlântico, formando o único delta em mar aberto das Américas, que é um dos três maiores do mundo, composto de mais de 70 ilhas. Na estação seca, mais freqüente na margem esquerda, do Maranhão, formam-se praias. Que lembranças boas eu tenho do Parnaíba, de pular na água de cima de uma árvore, ou de uma ribanceira e descer pela correnteza abaixo.
O Rio Parnaíba é mesmo uma das maravilhas daquele lugar, no meu tempo não havia abastecimento de água na cidade, era no Parnaíba que a maioria dos baronenses lavavam roupas, tomavam banho, bebiam, cozinhavam. Por isso, valorizo tanto aquele rio.
O sol quente de Barão de Grajaú nos convida a mergulhar nas águas frescas do Parnaíba, não sei como é nos dias atuais, mas no meu tempo, era divertimento preferido das crianças e dos adultos.
A pesca também era uma das riquezas que o rio nos dava, me lembro da tia Aurora que morava numa casa ao lado da minha, ela pescava para se alimentar e de vez em quando eu a acompanhava. A pesca para nós nunca foi diversão ou aventura, era mesmo uma necessidade. Tia Aurora era especialista em fazer Mandi, um peixe carnudo, quase sem espinhos. O Mandi cozido da tia Aurora ficava delicioso, ela usava os poucos temperos que tinha a sua disposição, um pouco de coentro colhido no próprio quintal e um pouco de pimenta do reino e pronto, seu peixe ficava inigualável. Tia aurora era irmã da minha avó Isolina, quase uma segunda avó que eu e todos meus irmãos e primos aprenderam a amá-la.
Muitas outras lembranças maravilhosas me levam a Barão de Grajaú, aventuras de criança que somente quem viveu ou vivi num lugarejo no meio do mato pode contar. Aventuras como: Os banhos de chuva no inverno quente, as voltinhas de adolescente ao redor da igreja para arrumar paquera nos domingos de missa, os festejos de junho na praça da Igreja, as brincadeirinhas de esconde-esconde à noite, os desfiles das escolas nos 7 de setembro pelas ruas da cidade, as amigas mais próxima Neuza, Helena, Didia, Bernadete, e ainda, os passeios de caminhonete, cheia de crianças em cima da caçamba, rodeando a cidade em alta velocidade, e tudo promovido pelo seu Manoel da Paz a pedido da filha dele, a Sandra. Aliás, A Família do seu Manoel da Paz faz parte da minha história, meus irmãos mais velhos e eu vivíamos enfiados na casa dos Da Paz, eu brinquei muito com as bonecas da simpática Mariângela e da Bela Rosana. Dona Ângela, sempre nos recebeu no casarão dela, naquele tempo não tinha TV na minha casa, e quase todas as noites a sala da Dona Ângela enchia de crianças vizinhas, me lembro como se fosse hoje, todos sentados no chão e às vezes nas cadeiras, pois era tanta gente em frente à televisão que as cadeiras não davam para todos. Tenho um carinho muito especial pela família dos Da Paz.
Deixei Barão de Grajaú ainda uma menina, quando toda minha família veio morar em São Paulo, Era um sonho da minha mãe de morar na cidade grande, mas Barão de Grajaú ficou dentro de mim, tenho orgulho de ser Baronense. O Dr. Carlos Fernandes Ribeiro virou “O BARÃO DE GRAJAÚ, e eu a FABIANA MARAL virei a MISS BARÃO, desde pequenininha meu pai me chama assim, hoje com menos freqüência, ainda ouço-o, com sua voz quase deficiente me chamar de Miss Barão, isso é muito gostoso, isso é inexplicavelmente maravilhoso. De Miss eu não tenho nada, más tenho tudo, o carinho do meu pai o amor eterno da minha querida mãe que está no céu. E como diz meu Pai,
Miss Barão